A Folha de São Paulo teve acesso às manifestações do Google Brasil e do Twitter Brasil ao STF a respeito das ordens de bloqueio de contas de aliados do governo federal às vésperas do dia 07/09. e publicou trechos delas na sua coluna 'Paniel' na data de hoje (22/09). O ministro Alexandre de Moraes ordenou, a pretexto de 'ameaça à democracia', o bloqueio das contas de Sérgio Reis, do deputado Otoni de Paula e de diversas outras pessoas que utilizaram perfis em redes sociais (Twitter, YouTube, Instagram, Facebook) para convocar as manifestações do dia 7 de Setembro. Antes disto, outras ordens do ministro baseadas no inquérito 4.871 já haviam causado o bloqueio e a suspensão de contas nestas plataformas. Até o momento, todas as ordens desta natureza - que contrariam nitidamente o que está disposto no artigo 5º a respeito de liberdade de expressão, visto que não foi cometido nenhum crime por aqueles que tiveram seus perfis bloqueados, ao contrário de grupos que, por exemplo, cometem atos de vandalismos, anunciam que foram os autores dos atos, os divulgam por essas plataformas e nelas articulam novos atos - foram cumpridas. 

No entanto, apesar de cumpri-las, tanto a Google Brasil quanto o Twitter Brasil apontaram a desproporcionalidade das decisões do ministro Moraes e utilizaram para apontá-las o Marco Civl da Internet. A Google, além disto, pontuou que o ministro "deixou de atender o dispositivo que exige a prévia apreciação do Poder Judiciário quanto a licitude ou ilicitude do conteúdo." Acompanhe abaixo dois trechos das notas das empresas: 

"Embora as operadores do Twitter tenham dado cumprimento à ordem de bloqueio da conta indicada por vossa excelência, o Twitter Brasil respeitosamente entende que a medida pode se mostrar, data máxima vênia, desproporcional, podendo configurar-se inclusive como exemplo de censura prévia". 

"Ainda que o objetivo seja impedir eventuais incitações criminosas que poderiam vir a ocorrer, seria necessário apontar a ilicitude que justificaria a remoção de conteúdos já existentes", disse a Google em sua nota à Corte. 

Nota-se, por parte do Twitter, o extremo receio de fazer um apontamento óbivo ao ministro. Em verdade, nem um apontamento categórico, mas uma simples consideração, avaliação de hipótese, visto que o "pode" precede as alegações. Quando há uma preocupação desta natureza para dirigir-se a um ministro do Supremo Tribunal Federal, é sinal que este ministro não está preocupado em agir como guardião da constituição, mas sim como aquele que tem todo o poder e o peso para interpretá-la e usá-la como quiser, inclusive para censurar a pretexto da livre expressão.